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2 de abril de 2008 Traição virtual existe?Uma leitora me fez o seguinte questionamento: as mulheres consideram a masturbação ou o sexo virtual traição? Esclarecendo melhor, se seus maridos recorrem mais à sites pornôs na internet do que a elas, isso é considerado traição? Que a internet revolucionou os padrões de conhecimento mútuo e das trocas afetivas, isso não é mais novidade para ninguém. Hoje, as pessoas já podem vivenciar o sexo virtual e testemunhar a paixão via e-mail. Muitos são os internautas que já viveram, vivem ou desejam experimentar essa nova forma de comunicação e de aproximação. Nas salas de bate-papo, mais especificamente, milhares de encontros virtuais acontecem a todo instante em todo mundo, e têm revolucionado os hábitos, as relações afetivas, o casamento e a vida sexual de muita gente. Há quem passe horas navegando nesse mar sem fronterias, perdendo até a noção do tempo enquanto permanece conectado, só despertando para a realidade quando recebe a conta telefônica. A antiga forma de aproximação - através da troca de olhares e da descoberta do outro tendo como referêcia a aparência física (cor da pele, dos olhos, dos cabelos), o timbre de vóz, o jeito de se expressar, de se vestir -, foi substituída pelo sistema on-line de comunicação e pelo contato virtual. Ao contrário do amor romântico, vale mais o jeito de ser do outro (a personalidade, o que pensa e o que diz). Com esse novo canal de comunicação, ficamos livres da ditadura da beleza. As pessoas querem se comunicar e há carência de canais de expressão. A internet chegou para preencher essa lacuna, apesar de ter como características marcantes a interface, a virtualidade e a interatividade. Nas relações que nascem da rede, a novidade é você se interessar por alguém que nunca viu e que acabou de conhecer. Como a troca de informações se dá pela linguagem escrita, as sensações e emoções só podem ser concretizadas por meio do texto. Há casos de pessoas casadas que entraram neste jogo audacioso, como quem começa uma brincadeira, e seduzidas pelo texto do interlocutor virtual acabaram mudando de endereço, de cama e de parceiro. Com a identidade preservada - já que a maioria se apresenta com um nickname - os internautas extravasam a sua libido pela rede. Logo no primeiro contato a conversa pode tomar contornos eróticos, e para os amantes que dispõem de câmeras instaladas nos computadores, há grande chance de viverem um romance tórrido incrementado pelo sexo virtual. É o orgasmo a longa distância, que pode acontecer com um desconhecido. Com um mundo de possibilidades ao seu alcance nas pontas dos dedos, as pessoas estão trocando muita gente real por estranhos virtuais e realizando seus desejos mais íntimos embarcando numa aventura cibernética. Mas não se pode negar que a rede é também uma porta aberta para a infidelidade conjugal. A fronteira entre o real e o imaginário, a razão e a emoção é bem tênue, e o indivíduo quando menos espera, pode atravessá-la. De repente, um inocente bate-papo pode terminar num motel. Com relação a pergunta da leitora, o problema não está em o marido acessar sites pornográficos e/ou se masturbar ao ver casais em ação. Assistir cenas eróticas, sozinho ou acompanhado, é uma prática saudável, popular e acessível também as mulheres. Chega, inclusive a ser recomendado por terapeutas de casais para quebrar a rotina. Não há nada de anormal nisso. A masturbação é apenas uma forma de obter prazer sozinho. Ela não impede nem diminui o desejo que ele sente pela mulher. Muitas vezes, até aumenta o desejo dele. Agora se ela percebe que o companheiro dá mais atenção a tela do computador e só consegue se satisfazer dessa maneira e não tem interesse pelo sexo, provavelmente está com algum problema na relação a dois. Foi-se o tempo em que transar era sinônimo de contato físico, penetração, beijos e carícias. Um simples acesso a internet e uma webcam podem oferecer prazeres e sensações que antes só eram possíveis entre quatro paredes. O chamado cybersexo é uma forma de masturbação muito comum em salas de bate-papo, comunidades ou sites de relacionamentos, que a cada dia atraem mais adeptos e curiosos. Os solteiros não são os únicos atraídos pela transa virtual. Muitos casais veêm nesses contatos uma forma de sair da rotina e de estimular a imaginação. Como a internet está cada vez mais popular, muito mais corações estarão conectados via e-mail em todo mundo, procando uma revolução nos modelos de comunicação e expressão e uma reviravolta nos mecanismos de aproximação, de conquista, de sexo e sedução. O sexo virtual já é uma realidade na vida de muitos internautas (casados ou não), e com a rede mundial de computadores nasce também um novo estereótipo de homem traído: o corno virtual. A pior traição é a que nasce do coração. Muitas mulheres casadas possuem amantes no mundo virtual, e algumas acabam se envolvendo emocionalmente. Como a maioria dos chatters brasileiros é composta por homens, tendo como fonte pesquisas realizadas pelo Ibope, as mulheres continuam sendo vítimas em potencial da infidelidade, ainda que de forma virtual. Mas para os homens, números, porcentagens e estatísticas não servem de consolo quando o assunto é traição. Uma evidência de que a guerra dos sexos está longe de acabar e que o relacionamento entre homens e mulheres não pára de surpreender. Adalberto Andrade Escritor Fonte: www.cinform.com.br
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