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02 de fevereiro de 2008 Ser solteiro também é ser feliz, ensina novo siteA véspera do Ano-Novo, na segunda-feira, deve ter sido difícil para alguns solteiros, que podem ter passado os minutos que antecedem a meia-noite imaginando ao lado de quem estariam na hora de trocar o tradicional beijo de Ano Novo. Mas um novo site, o SingleEdition.com, quer atrai-los como visitantes e, ao contrário dos sites de paquera que tratam ser solteiro como um castigo, sua idéia é celebrar a vida solo, com dicas de compras, finanças e outros conselhos que os ajudem a viver com orgulho a sua solteirice. "Se você procurar o termo 'solteiro' no Google, todos os resultados apontam para serviços de encontros", disse Sherri Langburt, fundadora da SingleEdition.com. "Mas o que estamos dizendo é que há todo um reino de coisas que acontecem para as pessoas solteiras". Os artigos do site dão conselhos sobre como receber em apartamentos pequenos (coquetéis com queijos e chocolates em lugar de jantares, por exemplo), como cozinhar para um (congelar sopa em formas de gelo facilita descongelar porções individuais) e como selecionar presentes para outros solteiros (talvez um livro em CD ou aparelho de GPS que ajude uma pessoa acostumada a dirigir sozinha). Em novembro, os sites de encontros atraíram mais de 182 milhões de visitantes nos Estados Unidos, de acordo com o grupo de pesquisa de audiência comScore. O SingleEdition.com oferece algumas dicas obre encontros, mas também oferece respostas preparadas para os intrometidos que gostam de perguntar por que uma pessoa não é casada: "Tenho sorte"; "minha mãe precisa ter alguma coisa com que se preocupar"; "O quê? Estragar minha ótima vida sexual?". Embora as bancas de jornais e a Internet estejam repletas de revistas para pais e preparativos de casamento, Langburt, 35, diz jamais ter visto um "veículo de estilo de vida que trata de maneira positiva a cultura da vida como solteiro". O site, que atende a pessoas dos 32 aos 45 anos, estreou em 1° de dezembro. Ainda não há anúncios, mas Langburt diz que planos de negócios e de atração de tráfego estão sendo desenvolvidos. Ela planeja fechar acordos com grupos de varejo para colocar na Internet listas de presentes para solteiros. Diversas cadeias de comércio, entre as quais Pottery Barn, Williams-Sonoma e Home Depot, já adotaram listas de presentes menos centradas no casamento, oferecendo categorias como presentes para a casa, presentes de aniversário, presentes de formatura e, para casais homossexuais, presentes para cerimônias de compromisso. Em 2006, adultos que vivem sozinhos respondiam por 27% dos domicílios norte-americanos, mais que o dobro da proporção existente nos anos 60, de acordo com dados de recenseamento; em 2005, a última data para a qual esse dado está disponível, casais casados pela primeira vez lideravam menos da metade dos domicílios do país (49,7%), ante 52% em 2000. Com a alta no número de divórcios e na idade média com que as pessoas se casam, a tendência à vida de solteiro parece estar se mantendo. Alguns comandos de campanha, como o da senadora Hillary Clinton, estão procurando atrair as mulheres solteiras, que respondem por 53 milhões de votos, ou um quarto do eleitorado, considerando que elas sejam o fator decisivo na campanha eleitoral. "Essa idéia de que se pode viver uma vida plena e completamente feliz como solteiro é tão desconsiderada que as pessoas que se sentem assim relutam em afirmá-lo", disse Bella dePaulo, psicóloga social autora de um livro sobre solteiros convictos. Nesse trabalho, ela cunhou o termo "solteirismo", para designar a discriminação contra os solteiros nos planos de saúde que oferecem cobertura a casais e no código tributário federal. "Acredito que existam multidões de solteiros silenciosamente felizes", ela afirma. Sasha Cagen, autora de Quirkyalone, livro que resultou em um site para solteiros, o quirkyalone.net, diz que o SingleEdition.com parece "um ótimo conceito", mas "o desafio que eles precisam enfrentar é complicado. Há um lado patético que é preciso cuidado para evitar". Ela menciona como exemplo uma cafeteira que serve de tema a um artigo do Single Edition, cuja capacidade é de apenas uma xícara. "Produtos que trazem implícita a idéia de que ser solteiro é permanente fazem com que o usuário sinta que nunca encontrará alguém", ela afirma. Mas um "quirkyalone", termo cunhado por Cagen para designar "alguém que prefere sair sozinho a sair com alguém apenas para evitar a solidão", ainda tem a esperança romântica de encontrar alguém com quem valha a pena dividir a vida. De acordo com recente estudo da Packaged Facts, divisão do Market Research Group, a maioria dos solteiros tem menos de 45 anos e é de pessoas mais receptivas a mensagens publicitárias. Quando surgem comerciais na TV, a probabilidade de que solteiros desativem o som ou mudem de canal é menor. Os solteiros também são mais viciados em Internet, segundo o estudo: 11% deles afirmam dormir menos devido ao tempo que passam online, ante 7% dos usuários casados de Internet. Os anunciantes deveriam destacar mais os solteiros em suas campanhas, porque "essas pessoas são sensíveis a esforços publicitários voltados excessivamente a casais da mesma maneira que os telespectadores negros são sensíveis a publicidade com elenco formado apenas por brancos", conclui o estudo da Packaged Facts. Quanto a Langburt, algo de estranho aconteceu enquanto ela estava desenvolvendo o plano de negócios do SingleEdition.com: ela conheceu seu príncipe encantado e se casou. "Não acredito que o casamento tenha mudado quem eu sou como pessoa", disse. "Continuo aconselhando os solteiros que me cercam". Tradução: Paulo Migliacci ME Fonte: www.tecnologia.terra.com.br
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